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PERSPECTIVAS 2017: QUATRO BOAS NOTÍCIAS DO SETOR FARMACÊUTICO

By: | Tags: , , | Comments: 0 | maio 10th, 2017

Para os analistas de mercado, a economia brasileira começará a reagir, ainda que timidamente, no segundo semestre. Segundo o Boletim Focus do Banco Central, o Produto Interno Bruto (PIB) deverá fechar 2017 com crescimento de 0,5%. Muito pouco para as necessidades do País, mas um alento após dois anos de encolhimento do PIB – em 2015 a retração foi de 3,8% e no ano passado houve queda de 3,5%. Inflação mais baixa (o BC prevê que a taxa atinja o centro da meta de 4,5% este ano, contra 6,4% em 2016) e a possível queda de juros a patamares na casa dos 10% (está em 13%) devem estimular o consumo e consequentemente os negócios. Buscando estar preparado para quando o crescimento voltar, o setor farmacêutico põe em marcha projetos de expansão. O ICTQ levantou quatro boas notícias da indústria e do varejo farmacêutico que sinalizam perspectivas positivas para 2017 em relação à produção, vendas e geração de empregos no setor.

 

1. Indústria prevê crescer até dois dígitos e mantém expectativa de novas contratações

O segmento farmacêutico tem sido um ponto fora da curva, já que apresenta bons resultados independente da crise financeira brasileira. Para 2017, o presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos no Estado de São Paulo (Sindusfarma), Nelson Mussolini, a indústria farmacêutica espera que a equipe econômica do governo consiga melhorar o cenário, diminuindo taxa de juros e ajudando a retomada do consumo.

“Se isto se confirmar, projeta-se um crescimento de 10% do mercado de medicamentos neste ano. Há ainda outro aspecto que gera otimismo. Com o dólar a R$ 3,20 o Brasil é atrativo para as multinacionais. Esse dado, somado à estabilidade da economia, cria um ambiente favorável para a retomada de investimentos, tanto de empreendedores locais quanto de players internacionais”, assinala.

Além disso, as empresas do setor têm conseguido manter e até aumentar as ofertas de empregos. “Em meio à crise, o setor deu sua contribuição ao País. Num contexto de desemprego elevado e generalizado, ter contribuído para preservar e até aumentar postos de trabalho é auspicioso”, afirma Mussolini.

 

2. Novos investimentos na produção para vencer a crise

Os laboratórios prevêem expandir suas atividades ao longo do ano. “Existem investimentos e planos de expansão em andamento, especialmente pelo fato de o País ter a quinta maior população do mundo, estar passando por uma importante mudança demográfica, com o envelhecimento da população e ter uma parcela da demanda ainda não suficientemente atendida”, observa o diretor da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma), Pedro Bernardo.

O Teuto, por exemplo, prevê o lançamento de 250 novos produtos nos próximos anos, resultado de investimentos de R$ 200 milhões nos últimos anos. Já a Roche Farmacêutica está investindo R$ 300 milhões até 2020 em sua fábrica no Rio de Janeiro.

 

3. Varejo farmacêutico não quer ouvir falar em retração e aperta acelerador em vendas e inovação

As farmácias têm mantido ritmo de vendas, principalmente por causa da aquisição de medicamentos e pelo cliente não frear totalmente as suas compras. “O consumidor resiste mais em cortar produtos de uso pessoal. Ele pode até reduzir a compra, mas não elimina”, afirma o presidente do Provar-FIA e do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo & Mercado de Consumo (Ibevar), Cláudio Felisoni de Angelo.

E aí entra o segundo fator de crescimento desse mercado, que é a inovação, como observa o diretor de Pesquisa do ICTQ. “Quando falo em inovação que gera crescimento no mercado farmacêutico não me refiro a novas moléculas, drogas ou medicamentos que estão sendo lançados pelas indústrias. Mas à transformação que o PDV vem vivenciando nos últimos dois anos. Trata-se de uma nova farmácia, que deixa de ser um simples comércio de medicamentos para ser um centro de conveniência em saúde, qualidade de vida e bem-estar”, frisa. Em muitas capitais, lembra o executivo, as novas farmácias oferecem a comodidade de compra de itens que vão de medicamentos a pet shop, e tudo isso no drive thru, rápido e em um só ponto. “Isso pode ser até escandalizante para um farmacêutico ortodoxo, que acredita que a promoção de saúde e qualidade de vida está ligada estritamente a medicamentos e serviços farmacêuticos. Mas quando se pensa no trânsito cada vez mais difícil das grandes cidades, na poluição sonora e do ar que um cidadão recebe ao se dirigir a um supermercado, a uma lanchonete, a um pet shop ou a uma farmácia: não seria mais saudável encontrar tudo isso em um só lugar? Acredito que o consumidor e o empresário do varejo farmacêutico já entenderam que sim”, sustenta Andrade.

Além da conveniência em produtos, está em marcha o nascimento do centro de conveniência em serviços de saúde nas farmácias. Os consultórios farmacêuticos já são realidade dentro das grandes redes por todo o País, e quem ainda não tem um projeto para ter essas clínicas, está correndo atrás do tempo perdido para ter, destaca o diretor do ICTQ. “Imagine um ponto onde você pode comprar boa parte dos itens que consome na cesta básica da semana e ainda poder consultar, se vacinar e realizar o acompanhamento de tratamentos específicos com farmacêuticos e nutricionistas. Pense ainda o plano de saúde dando cobertura a esses serviços na sua farmácia preferida.”

Tal estratégia traz outro benefício. De acordo com Marcus Vinicius Andrade, ao avançar como um centro de conveniência em serviços de saúde, as farmácias compreendem cada vez mais o valor do farmacêutico como colaborador estratégico e economicamente rentável para o negócio. Assim, o varejo impulsiona o farmacêutico a buscar mais conhecimento e qualificação para sua atuação, uma vez que ele terá novas demandas em sua atuação. “No ICTQ, compreendemos essa nova realidade e, mais uma vez, inovamos para facilitar a jornada de quem quer progredir na carreira clinica dentro do varejo farmacêutico. Da mesma forma que fomos pioneiros na especialização com foco em farmácia clínica e prescrição farmacêutica, somos pioneiros agora ao desenvolver programas de capacitação em nível de especialização, com conteúdos mais aprofundados e específicos em algumas patologias, farmacoterapias e serviços clínicos”, sublinha o executivo.

“Assim como hoje temos milhares de farmacêuticos clínicos com noções gerais em atendimento e prescrição, amanhã teremos milhares de farmacêuticos especialistas em diabetes, controle de obesidade, gerenciamento de consultórios, controle da hipertensão, vacinação, primeiros socorros dentro das farmácias, nutracêuticos, procedimentos estéticos. Imagine o ganho que o varejo terá com profissionais qualificados para esses serviços dentro de suas farmácias, que já tem uma demanda latente vinda do consumidor-paciente. Você acha que o mercado e o profissional farmacêutico vão parar de crescer?”, questiona Andrade.

 

4. Nas farmácias, projetos de expansão em alta

Assim como a indústria, as farmácias também estão com planos de aumentar suas redes. “Demos continuidade ao plano de expansão da rede, investindo R$ 150 milhões principalmente na abertura de novas unidades. Com um ritmo de abertura de uma loja a cada três dias, somamos mais de 930 unidades em cerca de 320 municípios nos 26 estados e no Distrito Federal. Mantivemos firmes a nossa meta de chegar a mil pontos de venda em 2017”, exemplifica o diretor de expansão e novos negócios das Farmácias Pague Menos, Carlos Henrique de Queirós.

A Raia Drogasil revela que tem um plano de expansão forte para 2017, com uma projeção de abertura de 200 lojas por ano, meta atingida no passado. “O ponto mais importante na trajetória de crescimento da Raia Drogasil tem sido o foco em entender as necessidades dos clientes. Respeitamos as características regionais e estamos sempre observando as transformações sociais que ocorrem no País”, confirma o vice-presidente de Relações Institucionais da Raia Drogasil, Antonio Carlos de Freitas.

Também as farmácias independentes e as redes associativistas passam por um bom momento, com crescimento maior do que a média do mercado, segundo Edison Tamascia, presidente da Febrafar, federação que reúne as associativistas. Em relação ao faturamento, o segmento fechou 2016 com o crescimento de vendas acima da inflação. “Já as vendas unitárias de medicamentos tiveram alta de cerca de 5%, o que é muito bom no atual momento da economia”, afirma o executivo.

 

Fonte: Portal Interfarma


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