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MULTIPLICA DIGITAL – IMPORTAÇÃO DE 85% DOS INSUMOS FARMACÊUTICOS PREOCUPA ABIQUIFI

By: | Tags: | Comments: 0 | dezembro 18th, 2020

Importação de 85% dos insumos farmacêuticos preocupa Abiquifi

Apesar de produzir mais de 70% dos medicamentos consumidos no país, a indústria farmacêutica nacional depende cada vez mais de insumos farmacêuticos importados. Além de evidenciar a dependência vivida pelo Brasil há décadas, a pandemia da Covid-19 está reforçando a relevância da China – que se tornou o segundo maior exportador de produtos farmacêuticos ao Brasil.

Dados do ComexStat, portal estatístico de comércio exterior do governo federal, mostram que o país importou, até setembro, 3,5 mil toneladas em medicamentos e insumos farmacêuticos do gigante asiático. O volume representa um salto de 25,8% na comparação com o ano passado.

“Atualmente, cerca de 85% a 90% dos insumos farmacêuticos ativos (IFA’s) são importados a fim de atender a demanda de 74% dos laboratórios brasileiros”, afirma Norberto Prestes, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi).

“Ao lado da Índia, a China é tradicionalmente um grande fornecedor global de princípios ativos de remédios. A estimativa da indústria é que 70% dos insumos dos remédios fabricados no Brasil sejam chineses”, ressalta o dirigente.

Nesse ranking, a China perde somente dos Estados Unidos, que encabeçam a lista com 3,7 mil toneladas, em grande parte formada por medicamentos biológicos oncológicos e para doenças raras, de alto valor agregado e alta tecnologia. “Em 2019, o déficit na balança comercial do segmento foi de US$ 2,3 bilhões. As importações cresceram 1,79% em relação a 2018, sendo 0,68% nos insumos e 2,29% nos medicamentos, alcançando a soma de US$ 10 bilhões”, explica.

Parque fabril desativado

O desmonte geral da indústria brasileira ocorreu na década de 1990, quando o parque fabril foi dizimado pela busca desenfreada de margens e pela inércia de governos, que não entenderam a importância de manter produções estratégicas de insumos farmacêuticos.

“Se por um lado reforçaram a capacitação técnica e financeira das empresas produtoras de medicamentos, pouco ou nada fizeram para a redução da dependência dos insumos. Isso rapidamente transformou a cadeia farmacêutica em um grande importador, tanto de IFA’s quanto de medicamentos prontos”, observa Prestes.

Segundo ele, a Covid-19 abriu os olhos do mundo para a saúde como ativo estratégico. “Todos os países continuarão a importar insumos da China. O que não podemos aceitar mais é sermos um país sem capacidade tecnológica para reagir a um problema como esse e não entrar em colapso. É preciso estruturar a cadeia de produtores de insumos em parceria com a indústria farmacêutica, determinando a escolha dos prestadores de serviço e do curso de graduação nas universidades”, ressalta.

Produção de heparina

Um exemplo de matéria-prima na qual o Brasil tem capacidade para se tornar líder em produção está relacionado ao anticoagulante heparina. A substância, que é obtida de fontes animais – mucosa intestinal suína e bovina – tem sido usada com sucesso como medicamento antitrombótico injetável desde 1930, perdendo apenas para a insulina como agente terapêutico natural. Além disso, vem sendo ministrada em pacientes infectados com o novo coronavírus, como anticoagulante.

De acordo com Prestes, o Brasil é um dos maiores produtores mundiais de proteína animal, o que proporciona matéria-prima em abundância e tecnologia adequada para atender todo o mercado doméstico, além de boa parte do internacional. Mas, para que isto aconteça, é essencial que as empresas instaladas no Brasil tenham isonomia tributária em relação aos produtos importados.

“Também é extremamente importante que a Anvisa reavalie o atual controle de preços impostos para a heparina pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), fator que limita o registro e a comercialização. O Brasil poderia se consolidar como um importante player mundial nessa categoria”, finaliza a presidente da Abiquifi.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

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