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GENÉRICOS AVANÇAM E JÁ SÃO 28% DAS VENDAS NAS FARMÁCIAS INDEPENDENTES

By: | Tags: , , , , | Comments: 0 | outubro 25th, 2016

Se no início da venda dos medicamentos genéricos no Brasil havia uma resistência do consumidor em comprá-los, hoje isso já não é mais uma barreira. Essa mudança na percepção, aliada ao efeito crise, vem impulsionando a categoria e fez com que, nos últimos cinco anos, sua fatia no faturamento das independentes mais do que dobrasse.

É o que aponta a Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias (Febrafar), que representa 9.334 drogarias espalhadas pelo Brasil. Segundo a entidade, a fatia que essa categoria possui hoje na venda total de medicamentos das associadas é de 28%. Cinco anos atrás essa participação não passava dos 13%. Em termos de unidades vendidas, a representatividade é ainda maior e já ultrapassa os 40%, aponta o presidente da Febrafar, Edison Tamascia.

Os produtos genéricos, que começaram a ser vendidos no Brasil a partir de 1999, só ganharam maior relevância para o brasileiro nos últimos seis anos, afirma o executivo. “Há dois fatores principais que explicam isso: os consumidores e os próprios médicos passaram a confiar mais e a recomendar esses medicamentos; e, mais recentemente, a crise econômica fez com que o cliente se preocupasse mais com o preço na hora da compra”, afirma.

Para o dono da farmácia Farmaluz, da rede Entrefarma, José Lucio Alves, outro aspecto que influiu na maior aceitação do consumidor foi o programa ‘Aqui tem Farmácia Popular’, do Governo Federal. “Mais de 90% dos medicamentos oferecidos pelo programa são genéricos, o que fez com que o cliente passasse a usar esses produtos, e percebesse que a qualidade é igual aos de marca”, diz.

O fator preço

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Essa maior preocupação em economizar fica clara em um estudo realizado recentemente pela entidade, que mostra que dos consumidores que decidiram trocar de medicamentos na hora da compra (45%), quase a totalidade deles (97%) optou por um produto com um preço inferior ao inicial.

Nesse contexto, os genéricos – que por lei devem ser pelo menos 35% mais baratos do que os de referência -, têm ganhado os olhos do cliente. Ainda de acordo com o levantamento, 37% dos compradores optaram por essa categoria, enquanto 32% escolheram os medicamentos de marca, e 31% levaram ambos.

Na Farmaluz, que possui quatro unidades no interior de Minas Gerais, a participação dos genéricos no faturamento total dos medicamentos já representa 35%, sendo que há cinco anos o valor era de 12%.

Diante dessa maior propensão do consumidor em comprar os genéricos, Alves afirma que a loja tem buscado ter um mix completo desses produtos. “Temos trabalhado também com a exposição nas gôndolas, dando mais destaque para essa categoria”, afirma.

De acordo com ele, uma das vantagens de comercializar esse tipo de medicamento é que a margem de lucro é um pouco maior, em comparação aos de referência. “A lucratividade acaba sendo maior porque conseguimos negociar melhor com o fornecedor. Mas, ao mesmo tempo, temos que vender um volume maior desse produto para ter o mesmo faturamento”, explica.

Na rede de drogarias Maxifarma, que possui 112 operações no estado do Paraná, esse crescimento também tem sido expressivo. Se em 2011 a fatia dos genéricos nas vendas de medicamentos era de pouco mais de 6%, atualmente já ultrapassa os 30%. “Antes quase não conseguíamos vender o genérico. Você oferecia para o consumidor e ele não aceitava. Até porque muitos médicos colocavam na receita essa orientação”, afirma o proprietário da rede, Edenir Sandona.

Apesar dos avanços em relação ao consumo de genéricos, Alves, da Farmaluz, afirma que nas cidades do interior, a resistência dos médicos ainda é um empecilho. “Em cidades pequenas os médicos muitas vezes ainda são influenciados pela indústria farmacêutica e acabam dando preferência para o produto de marca”, diz.

Os dois empresários ouvidos pelo DCI acreditam que a tendência é que essa categoria cresça ainda mais nos próximos anos. “Deve aumentar muito mais a participação dos genéricos no futuro, no Brasil, até porque nos países desenvolvidos a maior parte das drogarias já trabalha dessa forma”, ressalta Alves.

Entre as grandes redes de farmácias esse crescimento também vem se mostrando constante e significativo. Segundo dados da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), que representa as 26 maiores do ramo, de janeiro a setembro deste ano a venda de genéricos representou um faturamento de R$ 3,459 bilhões. O valor foi 13,87% superior ao registrado no mesmo período de 2015. Em relação a 2011 a alta é ainda mais expressiva, já que naquele ano o montante foi de apenas R$ 1,308 bilhão.


Fonte: DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços
Extraído: Portal Abradilan

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